Nos anos 70, as reuniões da família Maia e seus amigos na casa da tia Lúcia foram, para mim, momentos inesquecíveis. Lá, entre conversas, brincadeiras e brigas debatíamos desde os assuntos familiares até o futuro da humanidade. A diversidade de temas era tanta que aquele espaço recebeu o apelido carinhoso de EmbAIxAdA. Em 2002, morando na França, criei este blog e não me ocorreu outro nome pra batizá-lo, era uma maneira de matar as saudades. Nada melhor do que fazer uma “horinha” na varanda da 1645!
Há muito tempo,
Nas Águas da Guanabara,
O Dragão do Mar reapareceu,
Na figura de um bravo feiticeiro
A quem a história não esqueceu
Conhecido como o Navegante Negro,
Tinha a dignidade de um mestre-sala
E ao acenar pelo mar, na alegria das regatas
Foi saudado no porto
Pelas mocinhas francesas,
Jovens polacas e por batalhões de mulatas.
Rubras cascatas
Jorravam das costas dos santos
Entre cantos e chibatas,
Inundando o coração
Do pessoal do porão
Que, a exemplo do feiticeiro,
Gritava, então:
Glória aos piratas,
Às mulatas,
Às sereias,
Glória à farofa
À cachaça,
Às baleias...
Glória a todas as lutas inglórias
Que através da nossa história
Não esquecemos jamais.
Salve o Navegante Negro,
Que tem por monumento
As pedras pisadas do cais