Sexta-feira, Junho 25, 2004


A flor da paixão


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Já contei que morei 4 anos em Campina Grande, na Paraíba. Uma cidade pequena com grandes problemas, mas uma bela cidade, com um clima muito agradável de montanha. Morávamos no chão, em uma casa, com jardim e quintal, e isso me encantava, só faltou o cachorro, que o Giovanni nunca aceitou ("aqui em casa, ou o cachorro ou eu" - era o que ele dizia, e ainda diz...).

No jardim havia uma bonita palmeira, ainda pequena e um pé de româ (toda hora alguém batia palmas pra me pedir uma româ, e eu não negava, porque sabia que era pra fazer remédio - româ é bom pra garganta). E, grudadinha num dos galhos do pé de româ havia uma orquídea (que floriu uma única vez, justamente um dia antes de viajarmos de férias - quando voltamos ela já havia murchado - nem pude curtir a minha orquídea...

No quintal, além de uma pequena horta que resolvi plantar, havia dois pés de acerola que não paravam de dar frutos, um pé de graviolas (que sempre nasciam bichadas), uma goiabeira, e uma macieira (que nunca crescia).

Ao longo do muro que ia do jardim ao quintal, havia um pé de maracujá. Foi nessa época que me apaixonei pela flor do maracujá. Como é linda!



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Em vários idiomas ela é conhecida com "flor da paixão", e o maracujá, ou passiflora é "fruto da paixão" em francês, "fleur de la passion" e "fruit de la passion".

Só recentemente descobri a origem deste nome tão bonito:

O maracujá é nativo das Américas, existindo aqui muitas variedades dessa planta. O nome, "fruto da paixão" tem origem associação que os primeiros religiosos aqui chegados fizeram entre a aparência da flor e a paixão de Cristo.

Os filamentos ao centro representam a coroa de espinhos, tais filamentos seriam em número de 72, precisamente o número de espinhos que havia na coroa de Cristo. Os seus três estigmas, representam os três pregos utilizados para a sua crucificação enquanto as cinco anteras, simbolizam as cinco chagas de Jesus. As gavinhas são os açoites que o martirizaram; e o fruto redondo é a representação do mundo que o Cristo veio redimir. Por último, a folha pontiaguda representa a lança dos romanos e a sua face inferior é marcada de manchas que representam as 30 peças que Judas recebeu por ter traído o seu mestre.



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Quinta-feira, Junho 24, 2004


Segunda-feira, Junho 21, 2004


Jangadeiros Cearenses no Mar da Bretanha


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Pela primeira vez nossas rústicas embarcações participarão do famoso Festival Marítimo de Brest, na França, que acontece a cada 4 anos e é o maior evento náutico do mundo. Na edição 2004, que acontecerá de 10 a 16 de julho, são esperados mais de 3 mil barcos a vela de todos os tipos e tamanhos, procedentes de vários países.

Nossos valentes jangadeiros embarcaram hoje para a França, em sua primeira viagem de avião, para representar o nosso país naquelas águas geladas, e vão criar uma nova categoria na competição. Eles comandarão 14 jangadas, duas bem tradicionais, feitas de piúba, que seguiram desmontadas para a França. Famosos iatistas europeus vão formar equipes com os jangadeiros cearenses, durante a regata. (fonte: Diário do Nordeste)


Clique nas belas imagens do fotógrafo Chico Abuquerque e saiba mais:

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Domingo, Junho 20, 2004


Gente! Vocês viram que lindeza o novo campo de golfe de Loftahammar?


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A inauguração foi hoje, veja as fotos:
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Na verdade eu não conheço e nem entendo nada de golfe. Mas a história contada pela Neuma me entusiasmou, é bonito o empenho do Tomas e a animação da população da cidadezinha pela novidade, construindo o sonhado campo, etapa por etapa. Aliás, todas as histórias da Neuma e da Célia me encantam, porque o estilo de vida por lá é bem simples, o contato com a natureza é muito valorizado e as tradições são respeitadas e preservadas. É esse o estilo de vida dos meus sonhos. Eu adoraria morar numa cidade assim como Loftahammar, só que essa cidade tinha que ser no Brasil - um sonho difícil de se concretizar... Aliás, infelizmente, sinto cada vez mais distante a possibilidade de conquistarmos uma melhor qualidade de vida por aqui...

Falando de Fortaleza: eu não consigo me conformar com o fato de a minha cidade ter se transformado numa selva de pedra. Bastaram duas décadas para a temperatura média da cidade aumentar uns 5 graus, os engarrafamentos crescerem e o verde ser desprezado... As praias são bonitas sim, porém, atualmente, quem vai à praia em Fortaleza não sossega, pois é constante assédio dos vendedores de óculos, picolé, bijuterias, coco, sanduiche natural, bronzeador, artezanato, pitomba, sapoti, camarão seco, etc.

Em 92, nós mudamos de Fortaleza para Campina Grande, na Paraíba, onde o Giovanni fez o seu doutorado e onde moramos por 4 anos, até 96. Mudei-me para lá na ilusão de encontrar a vida simples dos meus sonhos, com cadeiras nas calçadas e crianças brincando de roda nas ruas... Mas me enganei, Campina Grande é uma cidade pequena sim, mas com problemas de cidade grande.

Isso acontece por ser Campina Grande uma "ilha de prosperidade" num Estado paupérrimo. O clima é ameno, de montanha, a Universidade Federal, moderna, com os melhores cursos nas áreas de tecnologia e seu doutorado nível "A". A qualidade da pesquisa incentivou a industrialização gerando grande progresso, o que atraiu imigrantes em busca de empregos. Mas a imigração foi tanta que a cidade inchou, surgindo inúmeras favelas, e aumentando o número de desempregados e desocupados. As escolas municipais insuficientes e incompetentes, por isso o que mais eu via por lá eram crianças vagando pelas ruas, cheirando cola, e assaltando...

Mesmo assim, a vida era boa, pois lá as distâncias eram menores, não havia engarrafamentos, os preços eram mais baixos que os de Fortaleza e, o melhor de tudo, morávamos no chão, em uma casa, com jardim e quintal! Claro que pagávamos vigilância de 24 horas na nosso quarteirão e todos os portões eram trancados no cadeado - não era perfeito, mas era bom.

Fiz boas amizades por lá, a vizinhança era ótima! E, é nessa época de São João que sinto mais saudades de Campina Grande. Mas não sinto saudades do "maior São Joâo do Mundo" no Parque do Povo, minha saudade é da fogueira que cada morador da cidade e também da nossa rua acendia na porta de casa durante o mês de junho. Na noite de São João colocávamos as cadeiras nas calçadas, acendíamos as fogueiras pra esquentar o frio, bebíamos um vinhozinho junto com a vizinhança enquanto a criançada corria em volta das fogueiras, soltando fogos e saboreando quitutes juninos.

Nossa como eu falei... comecei na Suécia, passei por Fortaleza e já estou na Paraíba... é melhor encerrar essa "viagem" por hoje...




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