Na verdade eu não conheço e nem entendo nada de golfe. Mas a história contada pela Neuma me entusiasmou, é bonito o empenho do Tomas e a animação da população da cidadezinha pela novidade, construindo o sonhado campo, etapa por etapa. Aliás, todas as histórias da Neuma e da Célia me encantam, porque o estilo de vida por lá é bem simples, o contato com a natureza é muito valorizado e as tradições são respeitadas e preservadas. É esse o estilo de vida dos meus sonhos. Eu adoraria morar numa cidade assim como Loftahammar, só que essa cidade tinha que ser no Brasil - um sonho difícil de se concretizar... Aliás, infelizmente, sinto cada vez mais distante a possibilidade de conquistarmos uma melhor qualidade de vida por aqui...
Falando de Fortaleza: eu não consigo me conformar com o fato de a minha cidade ter se transformado numa
selva de pedra. Bastaram duas décadas para a temperatura média da cidade aumentar uns 5 graus, os engarrafamentos crescerem e o verde ser desprezado... As praias são bonitas sim, porém, atualmente, quem vai à praia em Fortaleza não sossega, pois é constante assédio dos vendedores de óculos, picolé, bijuterias, coco, sanduiche natural, bronzeador, artezanato, pitomba, sapoti, camarão seco, etc.
Em 92, nós mudamos de Fortaleza para Campina Grande, na Paraíba, onde o Giovanni fez o seu doutorado e onde moramos por 4 anos, até 96. Mudei-me para lá na ilusão de encontrar a vida simples dos meus sonhos, com cadeiras nas calçadas e crianças brincando de roda nas ruas... Mas me enganei, Campina Grande é uma cidade pequena sim, mas com problemas de cidade grande.
Isso acontece por ser Campina Grande uma "ilha de prosperidade" num Estado paupérrimo. O clima é ameno, de montanha, a Universidade Federal, moderna, com os melhores cursos nas áreas de tecnologia e seu doutorado nível "A". A qualidade da pesquisa incentivou a industrialização gerando grande progresso, o que atraiu imigrantes em busca de empregos. Mas a imigração foi tanta que a cidade inchou, surgindo inúmeras favelas, e aumentando o número de desempregados e desocupados. As escolas municipais insuficientes e incompetentes, por isso o que mais eu via por lá eram crianças vagando pelas ruas, cheirando cola, e assaltando...
Mesmo assim, a vida era boa, pois lá as distâncias eram menores, não havia engarrafamentos, os preços eram mais baixos que os de Fortaleza e, o melhor de tudo, morávamos no chão, em uma casa, com jardim e quintal! Claro que pagávamos vigilância de 24 horas na nosso quarteirão e todos os portões eram trancados no cadeado - não era perfeito, mas era bom.
Fiz boas amizades por lá, a vizinhança era ótima! E, é nessa época de São João que sinto mais saudades de Campina Grande. Mas não sinto saudades do
"maior São Joâo do Mundo" no
Parque do Povo, minha saudade é da fogueira que cada morador da cidade e também da nossa rua acendia na porta de casa durante o mês de junho. Na noite de São João colocávamos as cadeiras nas calçadas, acendíamos as fogueiras pra esquentar o frio, bebíamos um vinhozinho junto com a vizinhança enquanto a criançada corria em volta das fogueiras, soltando fogos e saboreando quitutes juninos.
Nossa como eu falei... comecei na Suécia, passei por Fortaleza e já estou na Paraíba... é melhor encerrar essa "viagem" por hoje...