É muito comum ver pessoas destravando o cinto de segurança a poucos quateirões de casa. Tenho uma amiga que sempre faz isso quando lhe dou carona, e quando eu lhe digo que só se deve tirar o cinto quando o carro pára, ela me responde: "Mas, Marta, estamos tão pertinho de casa, nada vai acontecer!"
Puro engano! É talvez nestes poucos quarteirões próximos de casa, onde as pessoas se sentem seguras, que acontecem grande parte dos acidentes.
Movida também por essa falsa sensação de segurança, minha prima Silvia, no sábado passado, já tarde da noite, resolveu cruzar (a pé e sozinha) os dois quarteirões que separam sua casa da casa de uma amiga - imprudência essa que ela já havia cometido inúmeras vezes sob os argumentos de que: "estou perto de casa, nada vai me acontecer, este bairro é calmo..."
Infelizmente, desta vez, aconteceu... O assaltante, além de levar sua bolsa, deu-lhe um soco que lhe fraturou o maxilar... A Silvia não possui plano de saúde por isso encontra-se no IJF (Assistência Municipal) aguardando uma cirurgia, mas a fila é grande... Só nos resta rezar pra que essa fila ande rápido e agradecer a Deus o fato de não ter-lhe acontecido coisa pior, pois comparado aos dramas que presenciei na Emergência do IJF quando fui visitá-la, o seu problema é insignificante...
E a violência urbana no nosso país só aumenta!
Aqui em Fortaleza, o candidato à Prefeitura, Moroni, pensa que nos engana dizendo que, se eleito, vai acabar com a criminalidade. Todos nós sabemos que essa questão não compete à Prefeitura.
A questão é de responsabilidade dos Estados que precariamente tentam sanar o problema, cuja solução não está somente na repressão pura e simples mas numa grande ação concreta do próprio governo federal no sentido de se responsabilizar diretamente pela educação e pela cultura dos brasileiros - sem essa de subsidiar regiamente instituições particulares para fazerem o trabalho do governo!
Outro grande entrave, talvez o principal (juntamente com a vontade política) é a infinita dívida externa brasileira. Nós enviamos a maior parte de nossa arrecadação pra os bancos internacionais e ficamos impossibilitados de melhorar nossas condições de vida.
É verdade que me encantei, quando estive lá, com a qualidade de vida dos franceses, mas em nenhum momento me esqueci que a prosperidade dos países ricos se deve à exploração, durante séculos, das riquezas do nosso continente sul-americano. Acredito que, se existe dívida, é dos países do primeiro mundo para conosco....
Enquanto isso, as estatísticas a cada dia são mais alarmantes. Segundo a OMS, por exemplo, a cada 12 minutos uma pessoa é assassinada no Brasil. A violência, em nosso território, principalmente nas grandes cidades, realmente tem proporções de uma guerra.